Atrasado, mas precisava escrever a história da minha segunda década de vida. Muita coisa especial aconteceu. Aos 10 anos ainda queria ser jogador de futebol do Vasco da Gama. Queria ser o Bebeto, pelo porte físico franzino e o jeito de bater na bola. Nosso quintal era um campo de futebol. Claro, não com as mesmas dimensões. Muito longe disso. Dividíamos o espaço com várias árvores, pés de seriguela, jaca, cajarana, uma mangueira bem frondosa, goiabeira, coqueiro e um pé de sapoti que até hoje acho que era macho, porque nunca vi sair um sapoti sequer de lá. Meu quintal era quase um complexo olímpico, indo desde o futebol de areia, volei de praia (quintal na verdade), basquete de terra, tênis (no saibro), além das brincadeiras realmente infantis, como triângulo, bila, etc...Como não saía muito de casa, os amigos da igreja e vizinhos faziam as festas esportivas no quintal lá de casa. Era muito divertido.
Foi a fase dos desenhos e seriados japoneses. Jaspion, Changeman e os meus para sempre favoritos Cavaleiros do Zodíaco. Cada amigo era um cavaleiro. Jonatas Seya, Alisson Shiryu, Jorge Ikki, Otaniel Shun e eu era o mais incrível de todos: Yoga de Cisne. kkkk...Bom lembrar disso. Pó de diamante pra vcs.
Nessa fase, descobrimos a música. Eu e o Jorge, meu inseparável irmão, começamos a aprender a tocar. Eu, numa guitarra que ficou marcada pra história, uma Jeniffer preta, linda demais. O Jorge, nas panelas de casa, no sofá, até ganhar uma Drumond, onde os tons eram maiores que os bumbos de hoje em dia. Foi quando apareceu o Ananias, me apresentando as notas dissonantes das revistas que ensinavam a tocar violão, o Júnior (amigo antigo) e a figura do Zedequias, com sua roupa branca única e guitarra vermelha, chegando de mototáxi (com um sotaque peculiar). Começava a Banda Quarta Dimensão.
Aos 15 anos, começamos a tocar praticamente todos os sábados. Eventos em vários lugares da cidade. Colégios, igrejas, praças, cruzadas, campanhas evangelísticas. Para onde chamavam, a gente ia. Depois o Júnior saiu da banda e eu assumi o vocal e os teclados. O Téo depois se juntou ao trio e a gente fez muito a obra de Deus juntos. Viagens, ônibus, kombis, caminhões. A gente não tinha um centavo no bolso. Contudo, a alegria de tocar, de cantar, de fazer a obra de Deus era imensa. Bons tempos.
Aos 16 entrei na faculdade. Fiz vestibular para Odontologia na UFC, Veterinária na UECE e Fisioterapia na UNIFOR. Passei nas três. Entre os dez primeiros. Apareci no jornal. O menino que já quis ser motorista de ônibus, jogador de futebol e médico, optou por ser dentista. Não quis raspar a cabeça quando fui aprovado. Meus colegas de turma, na segunda semana de aula na UFC, fizeram isso por mim. Traumas capilares começaram a me perseguir desde então.
Aos 19 conheci Helane. Esbarrei com uma moça linda, na saída da igreja. Ela era nova. Nunca tinha visto. Senti algo estranho. Começamos a nos paquerar. Algum tempo depois a convidei para um jantar de dia dos namorados na igreja. Ela aceitou. Interessante saber que ela me atacou...kkkk. Foi um dia, depois do culto. Ela havia saído meio enciumada pelo fato de eu ser bastante receptivo, principalmente com o sexo feminino (rs). Eu fui atrás dela. Fui beijar o rosto dela como despedida. Ela desviou e roubou de mim um beijão na boca. Aí não deu mais pra segurar. Dias depois começamos a namorar...O resto, são cenas dos próximos capítulos.
Continua...
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Semana dos 34 #1
Quantas reflexões podem ser feitas às vésperas de um aniversário. Repensar decisões tomadas ou não? Olhar para trás ou pra frente?
Lembro dos meus primeiros 10 anos com muita saudade. O Ursinho Pimpão me embalava antes de dormir, juntamente com as músicas de Gigliola Cinqueti que minha mãe cantava. Ouvi-la cantar certamente aguçou meu prazer pela música. Falei cedo demais. Conheci as letras cedo demais. Não gostava dos primeiros dias do colégio, o que não é de se estranhar. Meus pais dizem que "pulei" o Jardim II por já saber ler e escrever aos 3 anos de idade. Esse fato me fez estar sempre um ano na frente dos meus colegas em todas as turmas de toda a minha vida colegial. Eu reclamava do "B com A = BA" das professoras. Aulas chatas e desnecessárias. Imaginem o quanto esse menino ficou metido. Lembro de um episódio nas festas juninas onde um tal de Agripino "roubou" meu título de noivo mais bonito da quadrilha. Foi terrível! Sempre queria ser o primeiro. Sempre quis ser o melhor.
Contudo, eu brincava sozinho. Precisava de um irmãozinho. Veio o Jorge. É incrível como ele sempre me completou. O abraço dele era tão aconchegante.
Educandário Felipe dos Santos formou meu caráter. Perdi a timidez, se é que um dia a tive, ao ser escalado sempre para cantar o Hino Nacional em cima de uma mesa diante de todo o colégio. Aos 5 anos de idade não errar a letra era um fato incrível (vide Vanusa). A criança prodígio ia se destacando. Olimpíadas de Matemática eram conquistas comuns. Medalhas de Honra ao Mérito se tornaram de praxe. Sempre o mais novo da sala. Sempre o exemplo a ser seguido. A responsabilidade aumentava. E pesava sobre os ombros.
Lembro do dente quebrado jogando futebol de tampinhas de refrigerante na quadra. Que jogada do destino. A fratura do incisivo central me acompanhou até a faculdade de Odontologia. Quem diria?
Queria ser motorista de ônibus, só para fazer curvas nos viadutos da vida. Quis ser jogador de futebol do Vasco da Gama, ser um Bebeto. Aquele time Cruzmaltino de 1989 foi inesquecível. O gol do Sorato no Morumbi ainda está como flash na memória. E o gol do Romário contra o Uruguai na Copa América de 89? Vibrei em cima dos ombros do meu paizão, vendo o jogo na Colônia de Férias do SESC. As conquistas do Senna, nas madrugadas de domingo, deitado no colo do irmão João também foram demais! Com o gol do Caniggia em 90, chorei pela primeira vez por causa de uma partida de futebol. Primeira e última. Da TV, lembro das Sete Faces do Dr. Lao, dos filmes do Super Homem, dos desenhos da Formiga Atômica, os Jetsons, os Defensores da Terra, além do Jaspion, Changeman e Jiraya. A Rede Manchete era show!!!
Minhas brincadeiras eram bem estranhas. Cortava folhas de papel ofício e fazia jogadores com quadradinhos de papel, riscando as colchas de cama desenhando estádios. O mais louco era de onde eu retirava o nome dos jogadores. Enciclopédias geravam escalações. Por exemplo, a seleção alemã tinha Bach, Einstein. Na seleção da URSS (é o novo), um tal de Dostoiévski era o atacante, ao lado de um tal de Gorbachev. Na seleção dos EUA, Abrahm Lincoln, Reagan e Kennedy marcavam os gols na brincadeira de gente anormal.
E os autódromos de Fórmula 1? Havia a colcha de cama desenhada com a pista também. As tampinhas que serviam de bola no colégio, eram os carros super velozes de Ayrton Senna, Alain Prost, Gerard Berger e Nelson Piquet, etc. Bons tempos.
Resumindo, meus primeiros 10 anos foram ótimos.
Durante a semana, falo da minha segunda década. Muita coisa legal aconteceu.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
E se...
E se eu pudesse começar de novo
E se eu pudesse fazer tudo outra vez
Ou se eu tentasse desmanchar os erros
Despedaçar aquilo que eu construí
Se eu olhar por uma nova esfera
E na espera de tentar mudar
Compreender que sempre há outro jeito
E simplesmente não parar de andar
Apagaria as inutilidades
Tolos momentos, horas que perdi
Resgataria a intimidade
Carinho, afeto, o amor que eu vivi
Procuraria novas amizades
Sem esquecer das velhas relações
E cantaria com sinceridade
Um novo som, uma nova canção
Que fale de amor, que fale de amor
Não há como olhar pra trás
Sem pensar no amanhã
Não há como ser feliz
Sem entregar o coração
Porque nenhuma folha cai
Sem a sua permissão
A minha vida sempre estará
Em suas mãos...
Só pela graça,
João Victor
sábado, 21 de março de 2015
MÚSICA NOVA - MESMO ASSIM
Quando minhas mãos falharem
Quando nos meus pés não houver forças pra caminhar
Quando os meus olhos não enxergarem mais
E minha vista embaçada me fizer tropeçar
Quando nos meus pés não houver forças pra caminhar
Quando os meus olhos não enxergarem mais
E minha vista embaçada me fizer tropeçar
Eu sei
Sei que mesmo assim
Sempre e mesmo assim
Sei que mesmo assim
Sei que mesmo assim
Sempre e mesmo assim
Sei que mesmo assim
Não me deixarás
Pode o mundo desabar ao meu redor
Tuas mãos estendidas permanecerão
Nem que seja necessário me quebrar
Me faça de novo
Pode o mundo desabar ao meu redor
Tuas mãos estendidas permanecerão
Nem que seja necessário me quebrar
Me faça de novo
Eu tentarei não me curvar diante do medo
Eu sei que posso acreditar.
Eu sei que posso acreditar.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Não preciso responder
Não preciso responder...
Durante metade da minha vida servi ativamente no ministério ao qual Deus me confiou. Nunca usurpei por poder ou títulos. Sempre achei estranho ser chamado de pastor. Responsabilidades grandes me foram confiadas desde jovem. A pressão sempre foi gigantesca. Muitas vezes, esperavam perfeição de onde apenas pode sair uma mera natureza humana, verdadeiramente regenerada, mas ainda assim em obras. Estamos realmente em obras.
O processo de reforma sofreu uma baixa. Perdi um mentor espiritual recentemente. Alguém em quem me inspirava. Antes que os incautos ou ignorantes sob a capa do gospelmente correto ou da conduta "espiritualmente" ilibada, venham com acusações de que minha inspiração deve ser Cristo e blá blá blá, quero deixar claro que tenho consciência disso. Não apenas sigo a Cristo. Não apenas sou inspirado por Jesus. Eu o sirvo. Contudo, aqui na terra existem pessoas dignas de aplausos e admiração. Eu me espelhava nele. Ele foi meu grande mestre.
Todavia, Pr. Darckson partiu. Ele foi tirado de nós. E eu sofri. Até hoje sofro. Não paro de lembrar dele. Ele será inesquecível.
Dessa forma, não preciso responder aos que dizem que meu sofrimento é falso. Não preciso responder aos que dizem que eu o abandonei. Não preciso responder aos que dizem que fui um falso amigo. Não preciso responder aos que me interromperam durante à minha última homenagem. Não preciso responder aos que pensam que eu não amava aquele que foi meu pastor por mais de 15 anos. Não preciso responder.
Apenas sinto falta. Confesso que hoje sinto mais do que durante o período que estivemos apenas longe. Hoje a saudade é infinita.
Compartilho do sofrimento da minha pastora Damares, dos filhos Jonatas e Débora, de todos os irmãos, de toda a família Lira. São quase 10 dias sem ele. Porém, a história ninguém vai apagar.
Como ele era um apreciador desse blog, resolvi voltar a escrever. Mais de um ano sem nada novo e não queria que fosse para falar desse assunto. Vou voltar a escrever. Preciso. Escrever me faz bem. Preciso ficar bem. Preciso continuar a nadar (#contemplarentende).
Não preciso responder. Preciso apenas viver. Aos que permanecerão me acusando, sinto muito. Aos que continuarão rancorosos, sinto muito. Continuarei os amando como sempre amei. Como aprendi certa vez, Jesus continuou sendo Jesus apesar de Judas. A gente dá o que a gente tem. E não consigo ter outro sentimento a não ser amor.
Só pela graça,
João Victor
Durante metade da minha vida servi ativamente no ministério ao qual Deus me confiou. Nunca usurpei por poder ou títulos. Sempre achei estranho ser chamado de pastor. Responsabilidades grandes me foram confiadas desde jovem. A pressão sempre foi gigantesca. Muitas vezes, esperavam perfeição de onde apenas pode sair uma mera natureza humana, verdadeiramente regenerada, mas ainda assim em obras. Estamos realmente em obras.
O processo de reforma sofreu uma baixa. Perdi um mentor espiritual recentemente. Alguém em quem me inspirava. Antes que os incautos ou ignorantes sob a capa do gospelmente correto ou da conduta "espiritualmente" ilibada, venham com acusações de que minha inspiração deve ser Cristo e blá blá blá, quero deixar claro que tenho consciência disso. Não apenas sigo a Cristo. Não apenas sou inspirado por Jesus. Eu o sirvo. Contudo, aqui na terra existem pessoas dignas de aplausos e admiração. Eu me espelhava nele. Ele foi meu grande mestre.
Todavia, Pr. Darckson partiu. Ele foi tirado de nós. E eu sofri. Até hoje sofro. Não paro de lembrar dele. Ele será inesquecível.
Dessa forma, não preciso responder aos que dizem que meu sofrimento é falso. Não preciso responder aos que dizem que eu o abandonei. Não preciso responder aos que dizem que fui um falso amigo. Não preciso responder aos que me interromperam durante à minha última homenagem. Não preciso responder aos que pensam que eu não amava aquele que foi meu pastor por mais de 15 anos. Não preciso responder.
Apenas sinto falta. Confesso que hoje sinto mais do que durante o período que estivemos apenas longe. Hoje a saudade é infinita.
Compartilho do sofrimento da minha pastora Damares, dos filhos Jonatas e Débora, de todos os irmãos, de toda a família Lira. São quase 10 dias sem ele. Porém, a história ninguém vai apagar.
Como ele era um apreciador desse blog, resolvi voltar a escrever. Mais de um ano sem nada novo e não queria que fosse para falar desse assunto. Vou voltar a escrever. Preciso. Escrever me faz bem. Preciso ficar bem. Preciso continuar a nadar (#contemplarentende).
Não preciso responder. Preciso apenas viver. Aos que permanecerão me acusando, sinto muito. Aos que continuarão rancorosos, sinto muito. Continuarei os amando como sempre amei. Como aprendi certa vez, Jesus continuou sendo Jesus apesar de Judas. A gente dá o que a gente tem. E não consigo ter outro sentimento a não ser amor.
Só pela graça,
João Victor
segunda-feira, 21 de abril de 2014
AINDA MAIS UM ANO
‘Senhor, deixa-a ainda por mais um ano, e eu cuidarei dela, cavando ao seu redor e a adubando.
Vamos nos colocar como a árvore dessa história. Os anos se passam, a cada dia mais rápido, mesmo que a quantidade de horas e minutos sejam as mesmas. Nosso tempo é escasso. Alguns por causa dos afazeres domésticos, trabalho, compromissos profissionais. Outros, por gastarem seu tempo mais com gadjets, celulares, redes sociais do que com relacionamentos.
Baseado nessa constatação, queria me enxergar como essa árvore. Ela ia ser cortada, mas houve um pedido que salta aos olhos. “Deixa-a ainda por mais um ano”. Por que ainda estamos de pé? Pra que esse prazo? Por que não somos logo cortados? Onde estão nossos frutos?
A princípio é importante saber que OS OUTROS ANOS NÃO FORAM COMO O ESPERADO. O vinicultor procurou frutos por três anos e não achou. Não era a primeira vez que o dono da vinha procurava frutos na figueira. Interessante perceber que como humanos não temos estações próprias para frutificar. O que fazemos então? Estabelecemos nossos prazos, principalmente nas viradas de ano. Quantas vezes Deus chega diante de nós e nos depara secos? Quantos anos passamos sendo alvo das suas misericórdias? Quantas vezes nos achou mais interessados em nossa própria vida, em apenas subsistir, sem de maneira alguma produzir fruto algum? Não foi o primeiro ano da descoberta de que somos infrutíferos. Quantas promessas feitas? Cumprimos nossas metas? Cumprimos nossos projetos? Que o Senhor nos conceda que a tribulação futura nos livre de mais palha que qualquer doutro desses anos anteriores, e deixe o trigo mais limpo e em melhores condições.
Sabemos que HÁ UMA GRANDE MISERICÓRDIA SOBRE AS NOSSAS VIDAS. Se estamos ainda aqui, depois de passar por desertos, depois de ocupar a terra inutilmente, é pela infinita misericórdia do Senhor. Expressões como "um vaso ruim não quebra" são verificadas a cada dia como a mais pura realidade. Deus nos concede novas oportunidades. Por que continuam vivos? Por que ainda estão de pé? Porque há um propósito de Deus.
Entretanto, HÁ UM LIMITE ESTABELECIDO. Ele se preocupa. Vai cavar, vai adubar, vai preparar a terra. Jogar água, cuidar. Contudo, se não houver melhoras, a árvore deverá cair ao chão. São apresentadas duas opções: a enxada ou o machado. O uso da enxada é doloroso. O adubo deve ser lançado no solo. Coisas ruins podem acontecer. Seremos cavados. Há obstáculos profundos que devem ser removidos. A verdade é que muitos não queremos passar por esses tratamentos. Queremos frutos sem sacrifícios. Seria tão mais fácil, não é? Porém, não é assim. O tempo está acabando.
Ainda mais um ano. Como será esse novo ano? O problema algumas vezes pode não estar em nós, mas no que está ao nosso redor. Por isso, precisamos da enxada. Contudo, é importante frisar. A hora da decisão é urgente. Não se pode mais esperar. Ainda por mais um ano? Vou esperar terminar 2014? A mudança começa hoje. Não porque é fim do ano, mas porque, um dia, os teus anos infrutíferos precisam acabar. Ou serás vítima da lâmina do machado?
Só pela graça,
João Victor
Pastor da Igreja Batista Contemplar
Vamos nos colocar como a árvore dessa história. Os anos se passam, a cada dia mais rápido, mesmo que a quantidade de horas e minutos sejam as mesmas. Nosso tempo é escasso. Alguns por causa dos afazeres domésticos, trabalho, compromissos profissionais. Outros, por gastarem seu tempo mais com gadjets, celulares, redes sociais do que com relacionamentos.
Baseado nessa constatação, queria me enxergar como essa árvore. Ela ia ser cortada, mas houve um pedido que salta aos olhos. “Deixa-a ainda por mais um ano”. Por que ainda estamos de pé? Pra que esse prazo? Por que não somos logo cortados? Onde estão nossos frutos?
A princípio é importante saber que OS OUTROS ANOS NÃO FORAM COMO O ESPERADO. O vinicultor procurou frutos por três anos e não achou. Não era a primeira vez que o dono da vinha procurava frutos na figueira. Interessante perceber que como humanos não temos estações próprias para frutificar. O que fazemos então? Estabelecemos nossos prazos, principalmente nas viradas de ano. Quantas vezes Deus chega diante de nós e nos depara secos? Quantos anos passamos sendo alvo das suas misericórdias? Quantas vezes nos achou mais interessados em nossa própria vida, em apenas subsistir, sem de maneira alguma produzir fruto algum? Não foi o primeiro ano da descoberta de que somos infrutíferos. Quantas promessas feitas? Cumprimos nossas metas? Cumprimos nossos projetos? Que o Senhor nos conceda que a tribulação futura nos livre de mais palha que qualquer doutro desses anos anteriores, e deixe o trigo mais limpo e em melhores condições.
Sabemos que HÁ UMA GRANDE MISERICÓRDIA SOBRE AS NOSSAS VIDAS. Se estamos ainda aqui, depois de passar por desertos, depois de ocupar a terra inutilmente, é pela infinita misericórdia do Senhor. Expressões como "um vaso ruim não quebra" são verificadas a cada dia como a mais pura realidade. Deus nos concede novas oportunidades. Por que continuam vivos? Por que ainda estão de pé? Porque há um propósito de Deus.
Entretanto, HÁ UM LIMITE ESTABELECIDO. Ele se preocupa. Vai cavar, vai adubar, vai preparar a terra. Jogar água, cuidar. Contudo, se não houver melhoras, a árvore deverá cair ao chão. São apresentadas duas opções: a enxada ou o machado. O uso da enxada é doloroso. O adubo deve ser lançado no solo. Coisas ruins podem acontecer. Seremos cavados. Há obstáculos profundos que devem ser removidos. A verdade é que muitos não queremos passar por esses tratamentos. Queremos frutos sem sacrifícios. Seria tão mais fácil, não é? Porém, não é assim. O tempo está acabando.
Ainda mais um ano. Como será esse novo ano? O problema algumas vezes pode não estar em nós, mas no que está ao nosso redor. Por isso, precisamos da enxada. Contudo, é importante frisar. A hora da decisão é urgente. Não se pode mais esperar. Ainda por mais um ano? Vou esperar terminar 2014? A mudança começa hoje. Não porque é fim do ano, mas porque, um dia, os teus anos infrutíferos precisam acabar. Ou serás vítima da lâmina do machado?
Só pela graça,
João Victor
Pastor da Igreja Batista Contemplar
terça-feira, 18 de junho de 2013
O EXEMPLO DE UMA ESCRAVA
Naamã era um grande guerreiro. Um verdadeiro herói de guerra. Respeitado, honrado, líder, um comandante de conduta ilibada. Contudo, grandes guerreiros também podem sofrer. Aquiles, participantes da Guerra de Tróia e um dos personagens principais da obra Ilíada, de Homero, derrotou centenas de inimigos, mas padeceu com uma flecha no calcanhar. Segundo a mitologia, Tétis teria banhado Aquiles no Rio Estige, tendo o tornado vulnerável apenas no lugar onde o segurava. E exatamente naquele lugar, desprotegido pelos poderes mágicos do rio, Aquiles foi atingido e morreu.
Todos temos nossos pontos fracos, nossos espinhos na carne. Naamã tinha um sério problema de saúde. Era leproso. Nos dias atuais, teria hanseníase, uma doença que além de expor camadas mais profundas da epiderme com ulcerações, também provoca perda de sensibilidade. Literalmente, Naamã era um soldado ferido. E se envergonhava disso. Sua armadura cobria suas feridas. Em combate, ele era o guerreiro. Em casa, era o doente.
O comandante se escondia atrás das armaduras, das medalhas, das condecorações. Em casa, se expunha, demonstrava que também sofria. Até que um dia, uma menina, uma escrava oriunda de um povo “derrotado”, disse uma frase que mudaria a vida de Naamã.
“Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra.”
Algumas lições aprendemos com essa menina:
1. Não importa em que situação nos encontramos hoje. Não devemos esquecer de onde viemos.
a. Ela foi levada como escrava. Seus pais foram mortos, presos ou escravizados. Muito sofrimento para uma menina.
b. Ela estava longe de casa, mas sua casa estava perto dela. Mesmo na Síria, ela não deixou de ser povo de Deus.
- Podem arrancar tudo de você, mas não esqueça da sua essência. As circunstâncias da vida, apesar de nos fazer amadurecer, não devem mudar o que somos em essência.
2. Não sabemos o nome da menina. Mas conhecemos seu testemunho.
a. Ela poderia ter ódio ou uma mágoa imensa de Naamã. Todavia, se compadeceu dele.
b. Ela não se inferiorizou ou se apequenou diante nos dominadores. Abriu a boa e deixou o Senhor agir.
- Não há como ver o sofrimento e ficar insensível. É hora de deixar Deus te usar.
3. Sua mensagem é pertinente. A mudança viria com algumas atitudes.
a. Procurar o profeta
- obstáculo 1: pedir perdão – escravos perdoando escravizadores.
- obstáculo 2: entender que é preciso descer. A escravinha conhecia algo que ele não conhecia.
b. Mergulhar
- Eis a dificuldade...Queremos fazer a nossa parte ou esperaremos cair do céu?
- mergulhos são necessários. Nós temos que ser o milagre.
- AS FERIDAS tocaram as águas. E foram lavadas.
- A INSENSIBILIDADE foi quebrada, quando servos indicam o caminho.
- O MILAGRE FOI BEM MAIOR DO QUE A CURA DA LEPRA. NAAMÃ FOI RESTAURADO POR DENTRO.
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