Ontem, dia 24 de março, estive na cidade de Horizonte. Temos um programa de rádio e sempre as pessoas nos convidam para conhecer esse município. Entretanto, infelizmente, não conheci Horizonte em um passeio ou em um evento. Conheci a cidade em um momento de tristeza e revolta. Um mototaxista, José Osmar, mais conhecido como Zezinho, 46 anos de idade, pai de uma linda criança de 6 meses e esposo da tia da minha esposa, foi brutalmente assassinado na noite de 23 de março. Um legítimo episódio de alguém que está no lugar errado na hora errada.
Um trabalhador, que tirava o sustento de sua família passando horas ininterruptas sobre uma motocicleta, morre, vítima da violência. O passageiro, envolvido com tráfico de drogas, pediu apenas para que Zezinho o deixasse em casa. Zezinho não sabia o que o aguardava. Foi trabalhar. Seria mais uma corrida para comprar o iogurte de sua filha. Belinha, um dos bebês mais lindos que já vi na minha vida, o receberia com um sorriso no rosto. Não o recebeu. Sua esposa o beijaria, como era de costume. Não o beijou. Não por que não tivesse vontade, mas por que o beijo e o sorriso não foram possíveis.
O passageiro, jurado de morte, levara Zezinho para sua última corrida. O tiro que atingiu o passageiro, um jovem de 28 anos, assustou aquele homem, que correu. Correu para se salvar. Pensou na filha. Pensou na esposa. Pensou em Deus. Ele correu. O assassino, sem nenhum tipo de dó ou piedade, desferiu o tiro fatal. Zezinho não deveria estar ali. Mas estava. Não deveria partir. Mas partiu. Em meio ao sofrimento, Zezinho clama. Grita, implora por socorro. A ambulância chega. Leva o bandido. Deixa o inocente. Zezinho ainda falava. Segundo testemunhas, entregou sua vida a Jesus. Foram suas palavras finais. Estava consciente. Queria ver a esposa. Queria abraçar a filha. Apenas se despedir. Não houve tempo. José morre. Mais um José.
Até quando? Até quando veremos sangue inocente sendo derramado? Até quando a impunidade vai prevalecer? Onde está a justiça? Nos últimos dias tenho estado triste. Mais do que triste. Tenho estado revoltado. Não me conformo. Que Deus possa enviar o conforto para a família. Que Deus possa confortar meu coração. Quanto à revolta, peço: Senhor, não me tire o direito da indignação. Quero estar revoltado! Preciso disso!
Só pela graça,
Pr. João Victor
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quinta-feira, 25 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Quem sou eu?

Lord Byron, o excepcional poeta da segunda fase do Romantismo, foi um gênio da literatura. Contudo, quem lê sobre o movimento literário que inspirou vários artistas brasileiros, como Álvares de Azevedo em sua obra Noite na Taverna, percebe que Byron conseguia, assim como seus seguidores, parecer romântico e doce e, ao mesmo tempo, ser pessimista e diabólico. A exaltação à morte ficava, em alguns poemas, disfarçada em versos e rimas muito bem elaboradas.
Baseado na história da literatura, reflito. Mas será então que é possível de uma mesma fonte jorrar água salgada e água potável? De maneira nenhuma. A realidade é que são fontes aparentemente potáveis, com água boa para o consumo, mas que contém veneno em sua fórmula. É a bebida deliciosa que entorpece. O belíssimo drink, sedutor aos olhos, mas que provoca sérios danos ao organismo.
Existem pessoas assim? Com certeza! O mundo (e pasmem, as igrejas) está repleto delas. Homens escondidos atrás de máscaras. Posturas de perfeição que camuflam as imperfeições. Sepulcros caiados, enfeitados, revestidos de mármore, mas com corpos putrefactos em sua interior.
Por que nos esconder? Por que não sermos transparentes? Se as pessoas não concordarem com a versão real, que importa? Não são elas que pagam as nossas contas, nem lavam nossas roupas íntimas (com o perdão da expressão). É bem melhor sermos nós mesmos do que fingir, como atores em uma tragédia grega, externando alegrias falsas quando por dentro clamamos pela felicidade.
Moisés precisava de um nome de um deus para se apresentar diante de Faraó. Deus não quis ser o que não era. Deus disse: "Diga que o "Eu Sou" o enviou. Esse é o exemplo a ser seguido. Ser ou não ser. Me ajude Shakespeare. Quem somos nós? Não somos ninguém. Somos nós mesmos. Eu não sou ninguém. Eu sou eu. E me sinto muito feliz por isso.
Só pela graça,
Pr. João Victor
sexta-feira, 19 de março de 2010
Voltando ao ventre...

E se nós pudéssemos voltar ao ventre de nossa mãe e nascer de novo? Não vejo nenhum tipo de ironia na pergunta de Nicodemos. Vejo uma possibilidade. Por mais difícil de explicar que isso pareça ser, precisamos sim voltar. Rever conceitos e valores, reconstruir, como dizia a belíssima canção do Grupo Rebanhão, do final da década de 80, século passado.
Voltar ao ventre é voltar às origens. É pregar contra a venda de indulgências, prática mais comum nos dias de hoje do que nos dias de Lutero. É lembrar-se dos pais da Igreja, dos apóstolos que foram mortos por amor ao evangelho. Ah! É aprender com Spurgeon, Moody, Wesley. É aprender a doutrina da graça com Calvino e Agostinho. Quanto mais perto da Igreja primitiva, menos seremos influenciados pelos "telefones sem fios" doutrinários.
Voltar ao ventre é proclamar o evangelho nas praças e não procurar apenas microfones e holofotes. É ajudar os necessitados, é compartilhar o pão e não se exaltar por isso. É ter uma vida de oração e ter irmãos que oram enquanto estamos encarcerados pelas lutas do dia-a-dia. É saber que existem joelhos que não se dobraram diante de deuses mortos enquanto estamos na caverna. É estar certo de que esses mesmos joelhos estão curvados em oração pela nossa vida. Na verdade, as cavernas representam bem essa volta ao ventre, pois lá percebemos que não estamos sós. A caverna serve de placenta. Porém, chega o momento de sair dela. Chega o momento de nascer.
Voltar ao ventre é sentir-se protegido, amado, acolhido por um Deus que é Pai e Mãe. É ter intimidade, mas não apenas uma baseada em relações sobrenaturais ou em "êxtases" transcendentais, mas uma intimidade verdadeira, real, natural, pessoal.
Acho que necessitamos desse retorno. Não sob uma forma de hipnose ou através de uma regressão, mas através de um novo olhar para cruz. A cruz nos deu a chance dessa nova vida. A cruz tornou possível a volta ao ventre. Quiçá, após essa experiência de voltar ao ventre e nascer de novo, não em outra vida ou em outras épocas, mas nesta mesma, possamos ser mais humanos, mais gente, mais crentes!
Só pela graça,
Pr. João Victor
quinta-feira, 18 de março de 2010
Momento poesia...
Consolo na praia
Carlos Drummond de Andrade
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
Carlos Drummond de Andrade
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
Louco, esta noite pedirão a tua alma!

Na próxima semana, vai fazer 9 meses da morte do rei do Pop: Michael Jackson. O menino prodígio que aos 5 anos de idade já encantava o mundo com sua voz, perdeu a vida de maneira inesperada, mas de uma certa forma procurada. Sua vida de abundância, riqueza, glórias e aplausos era paradoxalmente acompanhada de traumas, perseguições da imprensa, acusações, cadeia, lampejos de loucura e infelicidade.
Na verdade, a nossa vida é passageira. Pouco tempo temos para viver. O salmista diz que "Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando." (Salmos 90 : 10). A vida é curta. E o que fazer para melhor aproveitarmos a vida? O que temos guardado?
Jesus fala a respeito um homem rico, que tinha recebido além do que esperava. Sua herdade, como diz as escrituras, tinha produzido com abundância e ele então falou: “Não tenho onde recolher os meus frutos”.
• Deus tem sido maravilhoso com você. Deu uma boa casa, um bom emprego. Você pode dizer que ganha bem, que tem muito dinheiro, e se engrandecer por isso. Contudo, os frutos são muitos para a sua capacidade. Isso gera uma preocupação. O que fazer? Não se exalte pelo que Deus te deu. Ele sempre nos dá mais do que merecemos.
• Aquele homem pensou: Vou derrubar meus celeiros. Bem pensado. Para crescer É PRECISO DESMONTAR ESTRUTURAS ANTERIORES. É necessário pensar numa nova planta. Fazer um novo projeto. Pense: do que você precisa se desfazer? O que você precisa abandonar? Para entrar em Jericó foi preciso que as muralhas caíssem, pois o povo que ia entrar precisava de mais espaço.
• Edificarei outros celeiros maiores, disse o homem. Que visão! Quando ele pensa em celeiros maiores, pensa grande. Imagina crescimento em escala geométrica. Imagina sua empresa em ampla ascensão. Mas quero vos falar de sua vida. Como você está projetando sua vida para o futuro? Queres ficar na mesma, ou queres progredir? Edifique celeiros maiores para que possa caber o que Deus tem preparado para você.
O homem citado por Jesus tinha tomado até aqui todas as decisões corretas. Entretanto, suas últimas atitudes estão fora de toda a intenção de Deus para as nossas vidas.
1. Achou já ter o suficiente. Os homens acham que já tem o suficiente para serem salvos. Falta o contato com o Salvador, mas acreditam ter encontrado o bastante. Michael Jackson tinha mansões, milhões de dólares, sucesso, fama, mas não era feliz. Não era feliz com sua aparência, não era feliz com sua idade, nem se conformava em ser alguém solitário. Ele não tinha o suficiente.
Achar ter encontrado a suficiência gera uma série de outras más atitudes.
2. Vou deixar a vida me levar. Alma, descanse! Alma, coma, beba e folgue! Você não precisa de ajuda, alma! Alma, você está bem! Tem seus amigos, tem seu dinheiro no bolso, tem seus propósitos, alma, você já tem tudo! Pra que envolvimento em igreja? Alma, pra que usar os talentos que Deus te deu? Alma, Deus levanta outro no teu lugar. Alma, você não precisa de nada!
- Jesus te chama: Louco! Noiva néscia! Onde está o azeite da tua lâmpada? Como está o teu relacionamento com Deus? Você está preparada para receber o noivo?
- Nesta noite pedirão a tua alma. Nesta noite! É agora! Deus aproveita a noite para causar um impacto na vida de alguém. Foi à noite que Paulo e Silas cantavam e oravam e houve um terremoto e as cadeias caíram. Nesta noite, um terremoto vai abalar as tuas estruturas.
- Pedirão a tua alma. Não é uma imposição. É um pedido! Deus quer a sua alma. Você não tem outra opção, a não ser que queira entregá-la ao diabo. Deus quer sua alma, seu coração, sua vida.
- Michael Jackson juntou tesouros. Morreu. Pra quem deixar. Um testamento é o caminho escolhido. Brigas judiciais se seguirão. A fortuna passa a ser alvo de discórdias. Pra que viver sua vida pensando em alegrias passageiras. Você está preparado para a alegria na eternidade?
Só pela graça,
Pr. João Victor
Poesia Nova - Próximo CD

O Melhor Lugar
Palavras perdidas
De um velho diário
De páginas velhas
Rasgadas, esquecidas
No fundo de uma caixa
Nas minhas memórias
Como vou recuperar o tempo que passou?
Não tem mais volta!
Se existe um lugar feliz lá fora
Quero viajar agora!
Retratos antigos
Momentos felizes
Em fotos mofadas
Lembranças, apenas
De um álbum que um dia
Já foi minha vida
Como vou voltar atrás no tempo que se foi?
Se foi, não volta!
Se existe um lugar feliz, me mostre!
Quero viajar agora
Quero minha liberdade
O presente quero hoje abraçar
Uma vida de verdade
Só encontro em Ti (Jesus)
O melhor lugar pra estar
Por Pr. João Victor
terça-feira, 16 de março de 2010
Vendo chifre em cabeça de cavalo II
Por Pr. João Victor
Ouvi na rádio essa semana uma discussão sobre a música de abertura da novela CAMA DE GATO, da Rede Globo. Tenho muitas opiniões contrárias a essa emissora de TV, principalmente sobre a forma como manipulam as massas e influenciam toda uma sociedade, lançando modas e costumes através de suas novelas, programas e reality shows.
Entretanto, devemos ser imparciais e dividir as coisas. A música Pelo Avesso, dos Titãs, foi alvo de duras críticas por pessoas influentes ou não, de denominações evangélicas. A música foi taxada de satânica, diabólica, enfim, de obra criada nos quintos dos infernos.
Parei, pensei, refleti. Como não engulo tudo que escuto, fui analisar a letra da música. Na verdade, NÃO HÁ NENHUM TIPO DE OBRA DO DIABO. A música é uma crítica à impunidade, uma revolta contra a nossa insignificância diante de tanta perversidade. Um mundo onde adolescentes participam de homicídios, protegidos pelo atrasado código penal, onde ladrões invadem casas, fazendo de refém mulheres, idodos e crianças. Um mundo onde vivemos presos, enquanto que os bandidos estão soltos, dando gargalhadads para as leis dos "homens de paletó".
Lembro de um dia que eu estava no consultório e dois meliantes invadiram a clínica e anunciaram o assalto. Após uma manhã exaustiva de trabalho, com dores na coluna, tive que ser chamado de VAGABUNDO e aguentei calado. Enfim, uma arma estava voltada para mim. Deu vontade de falar : "Sim, senhor cidadão brasileiro"
O que os Titãs fazem é um desabafo. É o "chutar do balde" da sociedade. Leiam e reflitam. E parem de ver chifres em cabeça de cavalo. Mais uma vez...
Pelo Avesso
Titãs
Vamos deixar que entrem
Que invadam o seu lar
Pedir que quebrem
Que acabem com seu bem-estar
Vamos pedir que quebrem
O que eu construí pra mim
Que joguem lixo
Que destruam o meu jardim
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Vamos deixar que entrem
Que invadam o meu quintal
Que sujem a casa
E rasguem as roupas no varal
Vamos pedir que quebrem
Sua sala de jantar
Que quebrem os móveis
E queimem tudo o que restar
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero
Vamos deixar que entrem
Como uma interrogação
Até os inocentes
Aqui já não tem perdão
Vamos pedir que quebrem
Destruir qualquer certeza
Até o que é mesmo belo
Aqui já não tem beleza
Vamos deixar que entrem
E fiquem com o que você tem
Até o que é de todos
Já não é de ninguém
Pedir que quebrem
Mendigar pelas esquinas
Até o que é novo
Já esta em ruinas
Vamos deixar que entrem
Nada é como você pensa
Pedir que sentem
Aos que entraram sem licença
Pedir que quebrem
Que derrubem o meu muro
Atrás de tantas cercas
Quem é que pode estar seguro?
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero
Ouvi na rádio essa semana uma discussão sobre a música de abertura da novela CAMA DE GATO, da Rede Globo. Tenho muitas opiniões contrárias a essa emissora de TV, principalmente sobre a forma como manipulam as massas e influenciam toda uma sociedade, lançando modas e costumes através de suas novelas, programas e reality shows.
Entretanto, devemos ser imparciais e dividir as coisas. A música Pelo Avesso, dos Titãs, foi alvo de duras críticas por pessoas influentes ou não, de denominações evangélicas. A música foi taxada de satânica, diabólica, enfim, de obra criada nos quintos dos infernos.
Parei, pensei, refleti. Como não engulo tudo que escuto, fui analisar a letra da música. Na verdade, NÃO HÁ NENHUM TIPO DE OBRA DO DIABO. A música é uma crítica à impunidade, uma revolta contra a nossa insignificância diante de tanta perversidade. Um mundo onde adolescentes participam de homicídios, protegidos pelo atrasado código penal, onde ladrões invadem casas, fazendo de refém mulheres, idodos e crianças. Um mundo onde vivemos presos, enquanto que os bandidos estão soltos, dando gargalhadads para as leis dos "homens de paletó".
Lembro de um dia que eu estava no consultório e dois meliantes invadiram a clínica e anunciaram o assalto. Após uma manhã exaustiva de trabalho, com dores na coluna, tive que ser chamado de VAGABUNDO e aguentei calado. Enfim, uma arma estava voltada para mim. Deu vontade de falar : "Sim, senhor cidadão brasileiro"
O que os Titãs fazem é um desabafo. É o "chutar do balde" da sociedade. Leiam e reflitam. E parem de ver chifres em cabeça de cavalo. Mais uma vez...
Pelo Avesso
Titãs
Vamos deixar que entrem
Que invadam o seu lar
Pedir que quebrem
Que acabem com seu bem-estar
Vamos pedir que quebrem
O que eu construí pra mim
Que joguem lixo
Que destruam o meu jardim
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Vamos deixar que entrem
Que invadam o meu quintal
Que sujem a casa
E rasguem as roupas no varal
Vamos pedir que quebrem
Sua sala de jantar
Que quebrem os móveis
E queimem tudo o que restar
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero
Vamos deixar que entrem
Como uma interrogação
Até os inocentes
Aqui já não tem perdão
Vamos pedir que quebrem
Destruir qualquer certeza
Até o que é mesmo belo
Aqui já não tem beleza
Vamos deixar que entrem
E fiquem com o que você tem
Até o que é de todos
Já não é de ninguém
Pedir que quebrem
Mendigar pelas esquinas
Até o que é novo
Já esta em ruinas
Vamos deixar que entrem
Nada é como você pensa
Pedir que sentem
Aos que entraram sem licença
Pedir que quebrem
Que derrubem o meu muro
Atrás de tantas cercas
Quem é que pode estar seguro?
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero
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